A pensão por morte nem sempre é para a vida toda. Essa é uma das maiores surpresas para quem passa a receber o benefício. Por quanto tempo ele é pago depende de quem recebe e, no caso do cônjuge, da idade dessa pessoa quando o segurado faleceu.
Entender a duração ajuda a família a se planejar — principalmente quando o valor da pensão é parte importante da renda.
Para o filho
A pensão do filho costuma durar até ele completar 21 anos. A exceção é o filho com deficiência ou inválido, que pode receber por tempo indeterminado, enquanto durar a condição.
Para o cônjuge ou companheiro
Aqui a regra é mais detalhada. Primeiro, o INSS olha duas coisas na data do óbito: quantas contribuições o segurado tinha e há quanto tempo durava o casamento ou a união estável.
A regra dos 4 meses
Se o segurado tinha menos de 18 contribuições mensais, ou se o casamento/união tinha menos de 2 anos, a pensão do cônjuge dura apenas 4 meses.
Existe uma exceção importante: se a morte foi por acidente de qualquer natureza ou doença do trabalho, essa limitação dos 4 meses não se aplica — vale a tabela por idade.
A tabela por idade
Cumpridas as duas condições (18 contribuições e 2 anos de união), a duração passa a depender da idade do cônjuge na data do óbito:
- Menos de 21 anos: 3 anos de pensão.
- De 21 a 26 anos: 6 anos.
- De 27 a 29 anos: 10 anos.
- De 30 a 40 anos: 15 anos.
- De 41 a 43 anos: 20 anos.
- A partir de 44 anos: pensão vitalícia.
Por que existe essa tabela
A ideia por trás da regra é simples: quanto mais jovem é o cônjuge, maior a expectativa de voltar ao mercado de trabalho e reconstruir a vida. Por isso, os mais jovens recebem por um período determinado, e quem já tinha 44 anos ou mais na data do óbito recebe de forma vitalícia.
E os pais e irmãos?
Quando a pensão vai para os pais ou irmãos (nas classes seguintes), a duração segue a mesma lógica de idade e das condições, observadas as regras específicas de cada caso.
Um detalhe sobre o valor
A duração é uma coisa; o valor é outra. O valor parte de 50% mais 10% por dependente, até 100%, e nunca fica abaixo de um salário mínimo. Mesmo quando a pensão é temporária, durante o período em que é paga ela segue essa regra de valor.
Casar de novo faz a pensão acabar?
Essa é uma dúvida frequente de quem perdeu o marido ou a esposa ainda jovem. A resposta tranquiliza: um novo casamento ou uma nova união estável não encerra a pensão por morte que a pessoa já recebe. O direito foi conquistado com o falecimento do segurado e não se perde por refazer a vida.
O que pode encerrar a pensão do cônjuge é o fim do prazo da tabela por idade — nos casos em que ela não é vitalícia. Reconstruir a vida afetiva, por si só, não tira o benefício.
Em resumo
- A pensão do filho costuma durar até os 21 anos.
- Para o cônjuge, a duração depende da idade na data do óbito.
- Com 44 anos ou mais, a pensão do cônjuge é vitalícia.
- Pouco tempo de contribuição ou união recente limitam a 4 meses.
- Morte por acidente ou doença do trabalho afasta o limite dos 4 meses.
